Finanças Sustentáveis

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Um estadista corporativo: Victorio Mattarozzi

Livro Os Desafios da Sustentabilidade – uma ruptura urgente

01/06/2007
Fernando Almeida

Os bancos brasileiros têm forte presença entre as instituições signatárias dos Princípios do Equador, o documento internacional de adesão voluntária pelo qual as instituições financeiras se comprometem a condicionar a concessão de financiamentos de projetos a uma série de exigências socioambientais.

A presença brasileira deve muito ao paulistano Victorio Mattarozzi. Quando o documento foi aprovado, em 2003, ele era funcionário da área de mercado de capitais do Unibanco e convenceu a diretoria de que a adesão era interessante para a empresa. A decisão do Unibanco acabou por estimular outros grandes bancos brasileiros a seguirem o exemplo. Foi o caso de Itaú, Bradesco e Banco do Brasil. No final de 2006, a Caixa Econômica Federal e o BNDES estavam em processo de adesão. Vale ressaltar que o Banco Real ABN AMRO e o HSBC eram signatários desde o lançamento porque suas matrizes no exterior estavam entre as instituições financeiras promotoras do documento.

Mattarozzi deixou o Unibanco em 2004 e passou a atuar na Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, integrando-se ao Projeto Eco-Finanças, lançado pela ONG para estimular a inserção das questões socioambientais na tomada de decisões de negócios das instituições financeiras. Assim, ele levou para uma ONG de reputação e com forte penetração política na sociedade sua experiência de liderança num banco de peso no mercado. Entre outras atividades, o Eco-Finanças assessora as empresas do setor financeiro na identificação de boas práticas socioambientais internacionais, visando assegurar que investimentos e financiamentos minimizem o impacto adverso sobre os recursos naturais e estimulem o desenvolvimento sustentável.

Como representante da Amigos da Terra, ele também atua no BankTrack, uma rede internacional de ONGs que monitora a implementação de políticas socioambientais no setor financeiro em todo o mundo.

Em sua cruzada pela inserção da sustentabilidade no mundo das finanças, Mattarozzi costuma argumentar com as instituições financeiras que a adoção de políticas socioambientais oferece oportunidade para realização de novos negócios. Por exemplo, junto com o financiamento ao projeto, o banco pode oferecer ao cliente um seguro contra riscos ambientais. Além disso, passa a entender melhor as necessidades dos clientes e pode desenvolver produtos que contribuam para o aperfeiçoamento da gestão ambiental e, portanto, para a redução do risco do próprio banco.

Mantendo uma postura proativa típica dos verdadeiros líderes, Mattarozzi alerta que os Princípios do Equador são apenas um ponto de partida. Os bancos precisam avançar, diz ele, apontando o rumo: devem formular políticas específicas para determinados setores de atividades; aplicar tais políticas em outras modalidades de financiamento, além de Project Finance; e criar mecanismos formais de diálogo com a sociedade civil para discussão dos aspectos socioambientais dos projetos que financiam.

Livro Os Desafios da Sustentabilidade – uma ruptura urgente

Publicado nas págs. 253 e 254 do livro “Os Desafios da Sustentabilidade – uma ruptura urgente”.

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